quarta-feira, 12 de março de 2008

Sob Azul...

Olá!
Até que enfim, pensas tu neste momento, verdade?! Este foi sem dúvida o mais difícil de publicar de todos os posts...muitas fotos, muitos peixes, muitas paisagens de cortar a respiração e, bem, vamos ao que interessa - a viagem, a aventura, a estória toda!

Comecei por esperar que "abrissem" o check-in em Christchurch porque resolvi ser obediente e estar no aeroporto 200 minutos antes da hora do vôo, o que não é muito agradável às 4h30 da madrugada mas, felizmente, não estava só - havia mais gente ansiosa por chegar a Sidney! A saída da NZ decorreu sem problemas e a entrada na Austrália também; desta vez a minha côr não me colocou em apuros e o passaporte foi lido electronicamente e à primeira!


Estava tudo a correr bem: um sol maravilhoso a aquecer-me os sonhos através da janela, uma água azul intenso lá em baixo, uma ou outra ilha verde perdida no imenso Tasman Sea, uma enorme extensão de floresta tropical. Mas, minutos antes de tocarmos o chão olhei para baixo e, por momentos, pensei que íamos aterrar num pântano: tinha chovido intensamente nos últimos dias e as estradas estavam alagadas, havia casas debaixo de uma água lamacenta e em parte nenhuma no meu horizonte se vislumbrava a praia; pensei - "onde me vim meter! A caçar/fugir de crocodilos nos próximos dias!" Mas não - no caminho para o hotel não havia "grandes desastres" nem criaturas com forte dentição e Cairns, a minha porta de saída para o Great Barrier Reef encantou-me imediatamente! Lembrou-me o Brasil pela alegria das pessoas na rua, pelo colorida das lojas e restaurantes
e pelo padrão de quadrados no chão. Aqui e ali, à sombra de uma palmeira ou de uma "pala",
sentavam-se grupos de Aborígenes com os seus enormes sacos. Aqui e ali, numa esquina qualquer, lembravam-me constantemente do motivo para estar aqui...

Ora, como estamos num país em que quase tudo o que vive na água te pode matar, lguém teve uma fantástica ideia: uma lagoa de água salgada, acompanhada da respectiva areia branca com nadador salvador e tudo!, no centro da cidade, à beirinha do oceano!

Apesar do calor intenso, e de chover torrencialmente de meia em meia hora - uma espécie de duche para refrescar -, resolvi caminhar um bocado antes de me sentar na lagoa a ler um livro. Foi então que, numa parede, ao longe, o vi: "um parasita pintado numa parede! Que máximo!" pensei eu...
...não, claro que não era! Quem pintaria um parasita numa parede?! Talvez nem eu...Era uma das figuras utilizadas pelos Aborígenes nas suas obras de arte; mas valeu a pena porque visitei a galeria a quem pertence a parede e fiquei encantada com algumas das pinturas cujo preço, infelizmente, vai muito além do meu Orçamento para os próximos 20 anos...

No dia seguinte, e depois de passar pela Pro Dive para preparar o material de mergulho, fui, finalmente, apanhar sol para a Lagoa! E que bem que se estava lá - água calma e quentinha, pessoas alegres, a rir e a "brincar" na água ou, simplesmente, deitados aos sol a ler...
...mas não aguentei muito - pelos vistos, não é só na praia que não consigo estar muito tempo na toalha, quieta, ao sol! Fui dar uma volta pelo passeio marítimo e, nem de propósito!, vi dois excelentes fenómenos da Natureza: Uma pequena nuvem de chuva, ao longe, e apenas sobre a zona da Marina...
... e um peixe que respira fora de água! e que eu apenas havia visto nos livros e, que por isso, fotografei em todos os ângulos possíveis e por mais de 15 minutos pra espanto de todos os japoneses e italianos que passavam por mim! É tão feio mas tão giro!
Continuei até à praia...água calma, areia branca...
...convidativa, não?! Pois, não fossem os crocodilos!
Mas há quem não se importe com eles - os caranguejos! Eram milhões sobre a areia molhada; moral da estória - os crocodilos não gostam de marisco!
Achei que era melhor sair daquela zona, mesmo estando longe da areia, e ir preparar a mala para levar para o barco onde passaria os próximos 3 dias, no meio do nada, longe de terra firme, rodeada pelo azul do Mar de Coral.
Partimos cedinho cedinho - foram buscar-me ao hotel às 6h00 e ás 7h00 já estávamos no barco a ouvir, atentamente, as regras e normas de segurança dos próximos 3 dias. Pés descalços para minimizar as escorregadelas, banhos curtos porque se a água doce se acabar acaba-se a festa, pessoas e roupa molhada dentro da cabine nem pensar! Cada um tinha um número de segurança (o meu era o 11, o que sempre tive nas turmas do secundário!) e sempre que nos fosse pedido teríamos que o dizer e confirmar que correspondia ao nosso nome; o número seria pedido sempre que o barco mudava de local e à noite, quando o Skipper "fechava" o barco. Senti-me segura com este esquema e tive a certeza que não me aconteceria o mesmo que ao casal de Norte-americanos: deixados no recife, rodeados de tubarões, e de quem, até hoje, não se sabe nada...
Apesar de todos estes avisos e normas, temos que assinar um termo de responsabilidade onde declaramos saber que mergulhar é uma actividade arriscada e que o estamos a fazer num local onde existe "vida marinha letal"...bem, vamos lá a isto!

O barco zarpou, finalmente, e ao fim de 3h de viagem, num mar que faria o da Figueira da Foz parecer um lago, ancorámos no que seria o primeiro local de mergulho que, ao contrário do que parece nos postais, não é, de todo, azul clarinho calmo! Mas depois do primeiro mergulho isso é tudo esquecido! São peixes de todas as cores, de todos os tamanhos, de todos os formatos! A água é azul, mesmo quando a visibilidade não é a melhor, e é quentinha, quentinha (29ºC). Os peixes vêm de todos os lados ver quem tu és - os pequenitos fogem nervosamente à tua frente e os grandes não te ligam nenhuma continuando o seu caminho; olhas para o teu companheiro, trocam sinais que significam tipos de peixes, direcções a seguir e olhares de "nem sei - é tudo tão fantástico!" até que, ao fim de 50 minutos, algum avisa que temos mesmo que voltar ao barco - o ar está a acabar. Por isso não admira que passada apenas uma hora fora de água, para um duche de água doce e um almoço apressado, e apesar de estar a carregar 15 kgs de equipamento, eu tenha esta cara antes do segundo mergulho!Sim, estou de fato, mas não é porque tenha frio - é um "stingsuit" para me proteger das medusas mortíferas que podem aparecer...
Desta vez levei a máquina! E, apesar da visibilidade não ser a melhor, e de a corrente não me deixar estar sossegada num mesmo sítio a fotografar os peixes, acho que te consigodar uma ideia do que foram mais 45 minutos debaixo de água!
O ar volta a acabar mas a cara não muda e parte-se para o 3º mergulho do dia ainda mais feliz do que para o 2º! A visibilidade tornou a não ser a melhor mas se os peixes não se importam...
...e nadam em todas as direcções permitindo imagens como esta...
...ou param um minuto para que esta seja a sua melhor foto frontal...
...pouco te importa que o mar não seja o das fotos! Eles estão lá todos á tua espera para o próximo mergulho e isso é que interessa!
Nesta primeira noite fiz o meu primeiro mergulho nocturno. Pensei que ía ter medo, que ía olhar para todos os lados à espera que uma criatura das profundezas me atacasse e que ía gastar todo o ar em menos de 15 minutos. Mas não! Quando fiquei completamente debaixo de água, junto com outras 10 pessoas e verifiquei que o mar não era negro mas sim verde escuro e que a visibilidade era melhor do que eu imaginava, esqueci-me de todos os perigos! E foi então que, guiados por um dos instrutores, vimos duas tartarugas ENORMES, numa reentrância do coral!Quase chorei de emoção! As minhas primeiras tartarugas selvagens ali, a um metro de mim! Acho que teria lá ficado até não ter ar só a olhar para elas...mas tivemos que voltar para cima porque a meia-hora permitida para os mergulhos nocturnos estava a terminar - só me lembro de dizer ao meu companheiro, o Chris, "podemos ir para baixo outra vez?!"

Enfim...dormi que nem uma pedra, embalada pelas ondas, até ouvir a voz do Oscar (outro dos instrutores) - "C'mon guys, let's get up and dive!". E assim foi: levantei-me, vesti o biquini, tomei um café, comi um biscoito e...tivemos que mudar de local porque um dos cabos de ancoragem se partiu! Melhor - este sítio era excelente, como se pode ver pelos desenhos do Oscar!

As bolas com perninhas são "cabeças de coral" e um deles, o que tem uma cara, chama-se Mickey Mouse! Encontrar o Mickey e depois as tartarugas seria o nosso objectivo.
Assim que descemos vimos uma raia que se deixou fotografar...
...mas logo a seguir veio algo muito melhor!
Sim! Uma tartaruga-verde! Passou por mim e continuou o seu caminho; percebi porquê logo a seguir - devia ser uma fêmea, tinha mais interesse no Chris!
Mas eu começava a ficar preocupada com uma das personagens do "À Procura de Nemo" - a Dory, não a via em lado nenhum! Mas no coral seguinte lá estava ela, perdida, como sempre!
E o Nemo, perguntas tu - encontrámos uma família inteira! Alguns não tinham mais que 5cm - eram tão queridos!
Mas não se fica por aqui: encontrei o mais Português de todos os peixes - o Bacalhau-Batata! Ele deve ter percebido a minha nacionalidade e fugiu mas ainda o consegui apanhar!
Este mergulho foi, talvez, o melhor dos diurnos porque vimos a tartaruga, os Nemos e a Dory...até descermos outra vez, passadas 2h, e vermos milhares de peixes coloridos...
...ameijôas gigantes (mais ou menos do meu tamanho!)...
...árvores de Natal!...
...Peixes gigantescos!...
...cabozes desconfiados...
...mais peixinhos coloridos, mais Nemos e mais tartarugas!
E, para terminar, um peixe-balão que preferimos não irritar! Chegou a hora do mergulho nocturno, desta vez sem guia e com o objectivo de ver Brian, uma tartaruga com 140 anos! e os tubarões do recife...Quando terminou a explicação do local, o Oscar lembrou-nos que nesta noite já haveria mais 20 mergulhadores certificados a bordo (os que tinham acabado o curso de mergulho de manhã) e que, no nosso lugar, ele tentaria estar na água o quanto antes para não ter que megulhar com a multidão...nunca sequer vesti o pijama tão depressa como vesti o fato, montei o regulador na garrafa, vesti o colete e calcei as barbatanas! Em 5 minutos estava pronta a mergulhar e o meu companheiro também - missão cumprida! Vimos o Brian na sua caverna, uma lagosta enorme e mais meia dúzia de peixes gigantescos mas...nada de tubarões! Esses só vimos quando voltámos para cima, a caminho do barco, a cerca de 5 metros de profundidade! Ficámos parados na espécie de baloiço preso ao barco, que usamos para fazer um "patamar de descompressão" e evitar acidentes vasculares devido aos mergulhos prolongados, e lá estavam eles, a nadar em círculos à procura do melhor peixe que estava a ser alimentado por um dos instrutores no barco, em jeito de isco, para que nós conseguíssemos ver os tubarões. Achei que não ía gostar de ver estas criaturas assim tão perto de mim mas enganei-me! Adorei! Estavam a 5 ou 6 metros de nós e nem nos ligaram - só olhavam de vez em quando para verificar se era peixe...
Foi excelente! Dormi outra vez que nem uma pedra e fui novamente acordada pela voz do Oscar a chamar todos para mergulhar. Os últimos 3 mergulhos foram feitos numa manhã, entre as 6h e as 11h e debaixo de chuva. Mas, mais uma vez, os peixes não se importam e, passado o primeiro metro de água turbulenta, eu também não!
Assim que descemos no primeiro vimos um tubarão a dormir na areia - esquecemo-nos que poderíamos ver outro qualquer peixe e ali ficámos simplesmente a olhar para ele...mas não nos ligou nenhuma, continuou a sonhar e nós também resolvemos não incomodar, pelo sim, pelo não...seguiram-se mais alguns peixes coloridos, mais peixes gigantes e mais corais de vários formatos.
Almoçamos à pressa e deixámos o Recife às 12h em ponto, para enfrentar um mar ainda pior que o da viagem até ao Recife...chovia que Deus a dava, a ondulação era forte e quase toda a gente estava meia-enjoada por ter que passar 3h na cabine...mas, finalmente, chegámos a terra firme mas depois de tantos dias no mar, a sensação de balanço continuou...por vários dias.

Para terminar em grande fomos todos jantar ao "Ratle and Hum" e, escusado será dizer, que foi muito divertido e o tema de conversa os peixes que vimos e o tamanho que tinham! Como bons pescadores, os nossos eram sempre os maiores!


De todas as pessoas a bordo, a que mais me impressionou foi o Don - um americano reformado adorável, pronto para a aventura que, apesar da idade e do desgosto de perder a mulher, não desistiu! Não fica a jogar cartas com os amigos e a ler livros em bancos de jardim - veio conhecer a Austrália sozinho, mergulhar no Great Barrier Reef apesar de não o fazer há mais de 10 anos, e tem que estar nos EUA antes de começar a época de vela! Mais uma lição de vida, digo eu!

E depois de uma jantarada nada melhor que um pézinho de dança num Club até que o corpo se recuse a mexer...estes foram os 5 resistentes até às 3h da manhã.
No dia seguinte, zonza do barco, estafada de uma noite curta e encalorada, fui a Kuranda, uma vila no cimo da floresta tropical, com os meus novos amigos Suíços - a Martina e o Pascal!
Foi divertidíssimo porque o cansaço nos faz dizer coisas parvas e porque estávamos animados por estar de férias num sítio destes, ter mergulhado num local fantástico e ter conhecido gente gira! Kuranda é bonitinha, com as casinhas todas do mesmo estilo e em diferentes cores garridas mas quando lá chegámos estava tudo a fechar porque os turistas já tinham partido...chegam perto das 8h e tudo termina às 15h - parecia um cenário de novela, com tudo completamente deserto!
Mas o nosso maior interesse era ver cascatas e, pelo menos por enquanto, a Natureza ainda não tem hora para fechar. E, tchanam!

Barron Falls!

Estes dias na Austrália foram, de facto, fantásticos! Em tudo! Adorei cada momento mas os que passei debaixo de água são inesquecíveis...daqueles que gravas na memória como uma sucessão de fotos e de cada vez que fechas os olhos eles aparecem. Não há mesmo explicação!

Mas a aventura não ficou por aqui...tinha acabado de sair do barco quando me ligaram da NZ com uma proposta de fim-de-semana; não resisti, disse que sim! Amanhã conto-te porque este post já vai longo.

Beijinhos,

J

PS - o colar esteve comigo o tempo todo mas só o fotografei "ao de cima"!

terça-feira, 4 de março de 2008

Mudança de Morada...

Kia Ora!

Hoje decidi começar com a saudação nacional em Maori porque, como o Ciao dos Italianos e o Cheers dos Ingleses, serve para Olá, Até à Próxima, Até Breve e Adeus e, infelizmente, a nossa língua não tem nada semelhante. E hoje tenho que começar assim: "Olá" a ti e "Até já" Kiwis...sim, finalmente estou de partida para um verdadeiro Paraíso (espero!) neste planeta - The Great Barrier Reef, Australia!

Parto às 7h00 de quinta-feira de CHC para Sidney e de lá para The Cairns, e, depois de um dia de passeio na Floresta Tropical mudo-me, literalmente!, para "O" Recife de Coral durante 3 dias numa aventura de mergulhos sucessivos nas águas quentes de Down Under... bem, visto daqui é Up Above, bastante Up Above! E se soubesses o quanto isto explica tanta coisa...

Estou a meio do livro do Bill Bryson entitulado "Down Under" (bastante apropriado dadas as circunstâncias) e, no meio de páginas e páginas de riso desmedido em diversas viagens de autocarro a caminho da Universidade, encontrei finalmente a expressão que, embora se refira ao que este ilustre Americano sentiu quando aterrou na Austrália a primeira vez, se adequa perfeitamente a este país em que me encontro, perdido no Sul do Pacífico: "It was as if I had privately discovered life on another planet, or a paralell universe..."! Bem vistas as coisas, parece que não devo voltar a sentir-me "neste planeta" tão cedo dado que, em menos de 24h, me mudo para esse "outro planeta" do Bill Bryson... mas mal posso esperar para mudar de realidade: não ouvir falar de dairy farming como se fosse uma coisa boa converter um país inteiro numa enorme exploração de vacas e ovelhas, não ver programas sobre gente que coloca tudo o que considera lixo (de restos de comida a televisores estragados) em buracos no quintal num considerado país desenvolvido em pleno século XXI e não dizer "obrigada" ao motorista do autocarro porque cumpriu a sua obrigação de me deixar na paragem em que preciso sair só porque todos os outros o fazem; mas, e sobretudo, ver o mar da sua melhor perspectiva - mergulhando nele! Sim, eu sei que estou numa ilha e, por definição, tenho mar em todos os lados mas, a maior parte das vezes, parece que sou a única que sabe isso - o resto da população está concentrada em disfrutar das montanhas e dos parques.

No Worries, "Amigo não empata amigo" - eles ficam com as montanhas, eu vou fotografar todos os Nemos possíveis "No" Recife de Coral!

Beijinhos,
e hoje despeço-me com Saudades - essa palavra que é mesmo só nossa e que significa tanto!
J

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Um fim de semana qualquer

Olá,

Ao contrário do que eu havia planeado, ainda que não tenha tido qualquer importância, não fui passear, para longe, no fim de semana; fiquei "por cá", como se costuma dizer "por aí". Mas isto não significa que não tenha tido um Bom fim de semana ou que não tenha sido mais do que um fim de semana qualquer...

Como qualquer fim de semana, este meu começou na sexta, ao final da tarde (night de acordo com os padrões horários da NZ) com uma boa sessão de cinema com uma amiga. Antes de entrarmos no sala, e enquanto esperávamos pelo chocolate quente que a empregada do bar fazia, assistimos a uma cena algo hilariante: um teenager queria que lhe fosse devolvido o dinheiro dos bilhetes de cinema de uma sessão anterior, mas, quando lhe perguntaram porque só agora estava a pedir o reembolso se a sessão tinha sido às 18h e o que tinha andado a fazer nas últimas duas horas (também não percebi o porquê desta pergunta!) ele disse simplesmente "no no, I saw the film!" - estava quase na hora da sessão e por isso não pudemos ficar para ver o desfecho desta estória...será que ele não gostou do filme e queria o dinheiro de volta ou o que se passava é que tinha dois bilhetes extra?! De qualquer forma, já tinha valido uma bela gargalhada!
Fomos ver uma comédia romântica - 27 Dresses - , esse estilo cinematográfico que não requer extrema concentração para se perceber a estória e que nos deixa com a alma mais leve ao fim de duas horas, e...bem, deixou-nos tão leves que tivemos a mesma ideia: e se víssemos outro?! Foi uma "boa ideia" mas, infelizmente, os horários cinematográficos neste país não permitem este tipo de "vontade" depois das 22h30 - como muitas outras coisas, as sessões da meia-noite ainda não chegaram cá.

No sábado fez um tremendo calor mas, ao contrário do que me acontece em Portugal, os 30ºC de Christchurch dão-me vontade de ficar longe do Sol e da praia. Tinha uma sessão de cinema seguida de um jantar Tailandês combinada para as 18h30 mas a tarde estava por preencher...foi então que a Amy se lembrou que precisava comprar umas sementes e umas plantas para preencher o nosso quintal; visto que o meu outro projecto era ler um livro mas tinha que o ir comprar primeiro (sim, tenho lido 1 livro por semana aqui nesta terra!), resolvi acompanhá-la na busca das melhores couves, bróculos e cebolinho para as próximas saladas cá em casa.
Durante um café gelado (Iced expresso) no "Jardim Encantado" do Café do viveiro (uma espécie de estufa com um lago e trepadeiras por todo o lado e um ou outro elfo ou fada, em pedra), e porque as conversas são como as cerejas, resolvemos qual seria o nosso próximo destino nessa tarde - uma retrosaria gigante perto do centro da cidade para comprarmos materiais necessários a uns projectos de design que temos em mente! Nunca tinha entrado numa loja desta especialidade num outro país e há muito que não o faço em portugal mas, mais uma vez, acho que, provavelmente, já não temos tanta variedade de linhas, lãs e tecidos fluorescentes...
O filme desta noite foi igualmente bom mas bastante triste também - PS: I Love You - mas o jantar Tailandês foi bastante reconfortante, embora bem diferente dos outros Tailandeses que já experimentei...acho que vou ter que ir à Tailândia para saber o que é, de facto, comida Tailandesa.

No Domingo andei, literalmente, a plantar couves! Não é algo que me dê uma particular satisfação - aliás, só achei graça porque era novidade - mas, numa manhã quente de Domingo e ainda sem livro para ler e sem uma peça crucial para começar o meu projecto de design...enfim, foi uma manhã diferente. A tarde não foi menos "diferente" - fui a um Summer Festival em Lyttelton. A ideia original era ir a pé, subindo e descendo a colina que separa CHC de Lyttelton mas estavam mais de 30ºC! Fomos de autocarro, o número 28, na esperança de poder voltar a pé, caso refrescasse. Ora bem, o Summer Festival não era mais do que a rua principal de Lyttelton ladeada de quiosques de venda de comida, bebida ou roupa e um palco em cada extremo - um para música, outro para artes mais ousadas como, por exemplo, ficar deitado de costas sobre estilhaços de vidro com uma rapariga sobre o peito! Foi mais uma experiência...e como o calor não diminuiu o número 28 trouxe-nos de volta a casa.

Beijinhos,
J

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O que nunca vem nos guias de viagem da NZ

Olá,

hoje não venho relatar-te uma viagem, um eclipse ou uma festa; venho apenas partilhar a minha...julgo que não é bem "desilusão" o que sinto mas, curiosamente, não me ocorre outra palavra...

Cada dia que passa, os "pontos" ganhos pela beleza fotográfica deste país na semana da viagem ao Sul diluem-se, quase que por completo, na negatividade da cultura que contrapõe o avanço de 13h no relógio com muitos mais anos de atraso em tantas outras coisas.

Acho que já te falei do problema da violência familiar e do facto de possuírem a 4ª taxa mundial mais elevada de mortalidade infantil, devida a violência; o que acho que ainda não te contei é como o Governo acha que se resolve - proibiu que se dê uma palmada numa criança! Talvez por isso no outro dia eu tenha assistido a uma mãe dar um pontapé num filho num supermercado só porque o miúdo teimava em não caminhar à frente dela...

Também acho que já te falei do homem que alvejou um miúdo que fez uns graffitis...não?! Pois é, apanhou um miúdo a "pintar-lhe a cerca" com umas palavras, pegou na espingarda e matou-o! O Governo reuniu a semana passada e deliberou sobre a aplicação de penas severas a quem graffitar; do homem que disparou nunca mais ouvi falar...e os governantes, já terão ouvido falar de o graffiti enquanto forma de arte e de expressão?! E de cidades em que se criam murais para a expressão desta arte, já terão ouvido falar?! E de como é perigoso ter uma arma em casa carregada e pronta a usar para que esse seja o primeiro recurso, será que pensarão discutir isso um destes dias?!

Provavelmente também já te falei de como o país está repleto de explorações de gado, especialmente ovelhas e vacas, e de como a carne é saborosa porque estes animais só comem pasto. Também já te devo ter falado de como a agricultura é importante e de como se faz tudo para eliminar qualquer peste que a possa danificar. Pois é...isso incluí matar qualquer mamífero, à excepção do Homem, vaca e ovelha, que coma qualquer tipo de vegetal e que, portanto, a caça é uma actividade livre. Qualquer um que tenha uma espingarda de caça pode sair por aí a matar veados, javalis, lebres, coelhos e até Wallabies (lembras-te deles de Sidney?), na quantidade que quiser só porque isso diminui o número de predadores das culturas; e o pior de tudo, é que nem os comem, é mesmo matar só para eliminar! E enquanto uns se divertem a caçar num alto de uma qualquer montanha, outros deixam de poder pescar nos rios, lagos e estuários porque a quantidade de fertilizantes utilizados nos campos e levados para os cursos de água pelas chuvas já não é compatível com a vida de muitos peixes...

Lembro-me de algumas destas coisas serem problemas num país muito pequenino, num cantinho junto ao mar, há muitos anos...De outras coisas lembro-me dos livros de História que já não leio há muitos anos, mas que, até nessa época, eram coisas Pré-Históricas.

Portanto, quando os apresentadores de um programa de tv matutino dizem "Have a good day in Paradise" muitas vezes não sei bem de quê, exactamente, estarão a falar...

Beijinhos,
J

PS: É por isso que preciso ir passear - para o "Paraíso" voltar a ganhar pontos.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

15 dias depois...

Olá!
Bem...só agora percebi que saudades tinha de te escrever e contar tudo e que bem que isto me faz; prometo não voltar a deixar-te sem notícias tantos dias! A questão é que, de facto, voltei mesmo à vida real o que significa que não tenho feito muito mais além de trabalhar...aqui não há muito mais para fazer a não ser...
Dia 7 de Fevereiro, logo a seguir a um feriado Nacional de comemoração do tratado de Waitangui, houve um eclipse solar; foi parcial (cerca de 50%) e aconteceu perto das 17h30 mas não foi nada de espectacular...ficou só mais fresco e levantou-se uma ventania quase medonha! Fotografei o momento para te mostrar mas, como não disponho do equipamento fotográfico necessário, é apenas uma foto do sol. no outro lado do mundo.
Na maior parte dos outros dias estive em casa, a trabalhar, trabalhar, trabalhar para compensar as minhas "várias férias" mas na sexta-feira, e apesar da intensa chuvada, fui a um jogo de Rugby! O primeiro da Rebel Super 14 Cup para a equipa "da terra", os Crusaders! Adorei! Tive que pesquisar e ler as regras básicas desta modalidade antes de ir para o estádio, caso contrário não ía perceber nada, mas valeu a pena - já sabia gritar "Try" e saber quando era penalty.
E depois há, claro!, a parte sexy do jogo: meninas de sainha curta a dançar...
...cavaleiros andantes aa bradar a sua espada e a galope à volta do campo...
e duas vezes duas mãos cheias de homens de calções curtinhos a emitir gritos másculos e a rebolar na relva...bem, não digo mais; deixo-te ver uns filmes!

No próximo fim-de-semana vamos passear! Ainda não sei onde nem como, mas vamos! Preciso de mudar de ares!

Beijinhos,

J