quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

El día que me quieras...

...e eu queria tanto ter net para te ter escrito antes!

E que tal estas? É assim que se dirigem a ti em Buenos Aires - o que me leva a crer que, no hemisfério Sul, há uma certa necessidade de saber como é que a pessoa vai ao contrário do que acontece no do Norte em que só querem saber se podem ajudar.

Mas vamos ao que interessa:
Cheguei a Buenos Aires já de noite e uma das primeiras coisas que vi foi a cancela da primeira de três portagens entre o aeroporto e o centro da cidade - dizia "Se vives neste mundo necessitas Visa"...e eu pensei "estou tramada! Se em Sidney o Mastercard me levava às alturas logo dentro do avião e era tudo caro, este Visa à saída do aeroporto..."
Mas a conversa com a taxista descansou-me; afinal era mesmo só publicidade!

No dia seguinte, saí do "meu" hotel de charme de gerência familiar e subi a Avenida 9 de Julio (supostamente a mais larga do mundo!), atravessei de uma só vez quase em passo de corrida (são, no total, 18 faixas de rodagem), e cheguei ao gigantesco Obelisco.
Voltei a atravessar na Lavalle, a rua dos cinemas e casas de jogo,
subi a Florida, cheia de lojas e cafés,e iniciei um dos tours recomendados no LonelyPlanet - o de Borges, um grande escritor Argentino.
Passei pelos vários cafés em que ele tertuliava com os amigos...
...mas no Richmond resolvi parar e "tertuliar" com uma torta Richmond e um Capuccino, antes de descer todo o resto da rua até à Plaza de Mayo.
E...se o banco standard é assim,como será o banco top range?!
No bom espírito latino, a "casa" do Governo não é descolorada como tantas outras mas sim Rosada!
Também achei incrível como, nesta praça, o tempo muda em cada esquina...

...mas o verdadeiro salto no tempo, para trás, dá-se quando se entra no Café Tortoni!

Acho até que viajei mesmo porque quando olhei para uma das mesas estava esta figura...
Resolvi provar a fugazzeta - uma espécie de pizza mas sem molho, quase sem queijo mas com muita, mesmo muita, cebola!
À tarde fui conhecer San Telmo, um dos berços do Tango e onde quase todas as casas de comércio têm o típico Filete Porteño - aquele floreado argentino à volta das letras, dentro das letras e entre as letras.
Comecei por tentar perceber de onde vinha o nome desta loja...pelas montras não dava para perceber...
Desci a Defensa, a rua em que caldeirões de água e óleo, a ferver, foram derramados sobre as tropas Britânicas quando estas tentaram invadir a cidade em 1806-1807, e a primeira paragem foi na Casa Mínima - supostamente a mais estreita de Buenos Aires pois tem apenas 2m de largura.
E aqui nem o Mac resiste a decorar-se com o Filete!

Continuei pela rua, passando pelo bodegon Desnivel
passando pelo Café Fidel, numa das transversais
e regressei à Defensa pela Plaza Dorrego.
Adorei o ar de Felicidade do Porco nesta cervejaria!
E este mural quase poderia parecer real...não fosse o cordelinho a sair de um buraquinho na parede...
Já este show era perfeito - além da entrada ser livre é também gratuita ou mesmo de borla, quem sabe! E há mais informação hilariante nos cartazes... Mas linda, linda, e também grátis, é a
onde encontrei uma loja com uns quadros 3D sensacionais! Ora vê.

E como a tarde já ía longa, iniciei o caminho de regresso ao hotel. Mas ainda tive tempo de comer um helado de dulce de leche granizado - hummmmmmmm
E, numa esquina, encontrei estes amigos num kiosko!
Por la noche fui a um show de tango no El Viejo Almacén.
E por algumas horas fui alguém diferente...
Os bailarinos eram fantásticos, o ambiente bom, a música melhor ainda...
...mas todos precisaram descansar e foi então que, directamente dos Andes, el condor pasou... ...e depois mais um tango apassionado...
E mais uma triste canção...
...e o melhor de todos! Com a chica a voar sobre as mesas da frente e a terminar largada no chão!
Para terminar veio toda a orquestra...
...e o armazém era velho mas os sapatos do Maestro eram novinhos!
O dia seguinte começou na caixa de chocolates - La bombonera - como é conhecido o estádio do Clube Atlético Boca Jrs., o único lugar do mundo em que a Coca-Cola permite que o fundo da sua publicidade seja preto e não vermelho!
Visitei o Museo de la Passión Boquense...
...e fiz a visita guiada pelo estádio.
É muito mais pequenino do que eu imaginava - a caixa de bombons do SLB tem muito mais chocolates! E é muito mais bonita!
E não é que, de repente, apareceu alguém para jogar?!

Depois do campo, fomos ainda ver a sala de imprensa e os balneários, passando pela "parede de imprensa" - aquela onde os jogadores são apanhados pelos jornalistas quando estão todos transpirados; que agradável deve ser entrevistá-los aqui...
Gostei da máquina de café com as assinaturas de todos eles...
...mas não percebi bem esta parte do jacuzi comunitário...
Esquisito, não?! E também não me pareceu muito bem usarem sabonetes no duche, em vez de sabonete líquido...além do perigo de caír um sabonete, terem que se baixar para o apanhar e haver algum acidente, é, sobretudo, pouco higiénico...ou será que tomam banho sempre no mesmo lugar?! Muito esquisito...
Mesmo ao lado da Bombonera fica o BocaTango, onde fui a um segundo show. É verdade; duas noites, dois shows! Mas muito diferentes...
Nas ruas em volta do estádio tudo é futebol!

E descendo a rua em frente ao museu, lá está ele - El Caminito!



Tão colorido como nos postais e como nas imagens que correm mundo...e igualmente tão turístico!!!! Todas as casinhas são cafés ou lojas e pelas ruas só andam turistas e bailarinos que querem muito tirar uma foto contigo...não, não tirei - para mim, o tango é dançado à noite, no escuro, e não numa rua turística.
E pensar que tudo nasceu nos tempos da imigração massiva de Italianos e Espanhóis, que construíram casas de chapa e as pintaram com restos de tinta dos navios, dando abrigo, em cada uma delas, a mais de 40 pessoas no sistema "cama quente" (quando uns se levantavam, outros deitavam-se na caminha quente!). Hoje é um sítio onde todos querem uma foto...
Mas com tanto calor (30ºC) tive que me sentar um bocadinho no mítico La Perla a tomar uma Quilmes (cerveja Argentina) fresquinha!
Um pombo resolveu aproximar-se de mim e comeu-me os amendoins tostados! Foi divertido ver toda a esplanada a rir com a lata do bicho! Mas quando outro se aproximou e tentou fazer o mesmo, eu deixei de achar graça...não estava com vontade de ficar coberta de pombos, ou de algo pior! E há tantos pombos em Buenos Aires!!!

Dei mais uma "voltinha" e descobri umas casinhas que não conhecia dos postais...

...incluindo o "Novo Armazém"...
...e um velho navio que duvido que funcione, mesmo para turista ver...
A tarde já ía avançada e o calor era cada vez mais intenso tornando o "passear" a pé pela cidade uma dura prova...resolvi apanhar o autocarro 29, decorado, também ele, com o filete porteño.
Desci na Plaza de Mayo e apanhei o Subte até ao Teatro Colón, a maior casa de espectáculos do hemisfério Sul até construírem a Ópera de Sidney...malandros!
Mas infelizmente estava fechado porque está a ser renovado e tinha a fachada toda coberta com andaimes...aqui ainda não aprenderam a "disfarçar" colocando uma tela igual à fachada a cobrir o andaime como se faz na Europa!
Assim sendo, e como não estava muito longe, resolvi caminhar até ao cemitério da Recoleta. É, de facto, impressionante mas, uma vez mais, impera o interesse turístico. Apesar de estar escrito na parede, e por várias vezes, que este é um lugar de respeito e oração, vendem um mapa à entrada com um circuito aconselhado...achei que era um bocadinho demais! Não comprei o mapa e, talvez por isso, não encontrei o mausoléu da Evita...não me importei muito - se quisessem de facto ajudar as pessoas a encontrá-lo, colocavam indicações tal como têm para os dos Drs. qualquercoisa.
Aqui há de tudo - até um do Clube de Portugal!
Mais trabalhosos...
...mais gloriosos...
...autênticas casas...
...mas todos obras de arte.

Já eram 17h quando saí do cemitério e tinha que estar no Hotel cedo porque me íam buscar perto das 20h para o espectáculo no BocaTango...mas ainda tive tempo para um geladinho de dulce de leche (light!) e frutos del bosco no Freddo - delicioso!

No BocaTango foi tudo bom! O espaço é muito engraçado porque construíram uma estação de comboio e um dos pátios do El Caminito

e um café da época, onde está um piano com mais de 100 anos e uma máquina de café igualmente velha.
Durante o espectáculo não são permitidas fotos mas...aqui sim, aceitei a foto com o actor!
Regressei ao hotel e tentei escrever-te porque, pela madrugada, havia net...mas não consegui...o sono venceu-me!

Hoje resolvi ter um dia mais calmo...até porque já tinha visto quase tudo o que queria. Caminhei até ao Congresso
e depois até Puerto Madero, a parte mais nova da cidade.Deixei Puerto Madero e apanhei o Subte na Plaza de Mayo até Palermo, o Barrio das lojas de designers. Almocei um belíssimo bife de cerdo con puré de papas e espinacas no La Dorita, famoso pelos jarros de vinho em forma de Pinguin (estão pendurados no bar) e passei o resto da tarde "nas compras de Natal", nas lojas em volta da Plaza Serrano.

Agora vou dormir e descansar a minha una sola cabeza, todas las locuras...
Beijinhos
J

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Rapidinho

Hola!

Cheguei a Buenos Aires mas tinha que te contar que estou num hotel muuuuuuito pequenininho, familiar e muito velhinho - 100 aninhos - mas todo recuperadinho! E no Barrio de San Telmo.

Mañana te cuento mas...

Besitos,

J

Compriiiiiido...

Olá!

Por motivos alheios à gerência deste blog, o presente post tem alguns dias de atraso…ainda assim, peço desculpa por ter passado tantos dias sem te dar notícias. Foram várias as razões mas a mais forte foi mesmo a morosa saída de Auckland. E, se a entrada na NZ não é um processo fácil, principalmente quando se é ligeiramente menos branco que um Britânico, a saída para as centenas de passageiros do LAN 800, com destino a Santiago de Chile, foi ainda mais complicada…e 95% eram bem mais escuros que os súbditos de Sua Majestade!

Despedi-me da Michelle no aeroporto de CHC às 10h da manhã de Domingo de dia 2 de Dezembro. Ao fazer o check-in foi-me dito que o voo para Santiago estava atrasado mas não sabiam quanto – quando chegasse a Auckland deveria dirigir-me ao quiosque da Quantas para saber ao certo.
Assim fiz; depois de uma agradável viagem de avião, de ir pelo meu próprio pé desde a aeronave até ao edifício do aeroporto (pelo menos aqui não temos que andar 30 metros de autocarro como na Portela) e de uma caminhada de 15 minutos entre o terminal doméstico e o internacional, tive a notícia de que o voo estava adiado para as 4h30 da manhã (um bocadinho depois de “o passarinho” alentejano cantar)! Para nos compensar, a LAN Chile reservou-nos quartos num hotel no aeroporto e incluiu neste pacote o almoço e jantar de Domingo e o transporte para o terminal, às 2h40 (um bocadinho antes das “3 da manhã hey”!).
Assim sendo, acabava de ganhar uma tarde de passeio em Auckland, embora o tempo não estivesse para passeios – chovia e não estava propriamente quente. Ainda assim resolvi meter-me no aerobus Express e ir conhecer a SkyTower, o edifício mais alto do hemisfério Sul! A viagem até ao centro da cidade demorou cerca de 1h e não era propriamente bonita mas…quando estava a ficar cansada de ver km de casas de habitação ou lojas de materiais de construção lá apareceu o centro de Auckland, o cais dos ferrys e, finalmente, a bendita torre.

Num dia mais descoberto e com um nadinha de sol a paisagem deve ser bem mais bonita...mas ainda assim...nada mau, hem?! A "linha" que vês na foto é um dos cabos do Bungy jump mais alto da NZ (isto de ter o maior de tudo faz-me lembrar um outro lugar, verdinho, pequenino e exactamente do lado oposto do mundo!). Pois...mas não saltei! Talvez num dia com mais sol e calor e num que não tenha como limite inferior uma plataforma de cimento e como "margens" prédios de ferro e betão. Desta vez, deu-me para as fotos "com ângulo"!

Depois de uma espécie de noite de sono lá fomos para o Aeroporto…mas a Alfândega ainda estava fechada, tal como todos os outros serviços; assim sendo, não percebo porque não nos deixaram ficar no hotel mais meia-hora em vez de a aguentarmos em pé, numa fila a olhar para as grades que nos separavam do nosso destino final. Da mesma forma, não entendo o porquê de pagar uma taxa de saída do país quando dificultam tanto as coisas na entrada – afinal, querem ou não querem pessoas nesta terra?! E esta taxa paga a utilização de alguma coisa?! É que se for uma taxa de consumo de recursos apenas 25NZD não fazem sentido…enfim, deve ser mesmo só para garantirem que “compramos” qualquer coisa no duty free, já que a taxa é livre de impostos (confuso, não?!). Para acrescentar ao já muito que “não entendo” neste país, não me carimbaram o passaporte na saída…perguntei e, é mesmo assim…são mesmo ao contrário!

Com mais uma hora de atraso em relação ao previsto lá partimos para Santiago. O avião não era grande coisa – como disse um Brasileiro assim que entrou, “nem tem tv no assento da frente!”; bem pior foi não ter escovinha e pastinha de dentes e as meinhas de lã para dormir…ou darem-nos talheres de metal nas duas refeições…

Atravessei a Date line, aquela que nos diz que à direita é passado e à esquerda presente (ou que à direita é presente e à esquerda futuro, se preferires) durante o meu sono de 6 horas e, portanto, quando acordei era ontem! O longo tempo de espera pela bagagem e a viagem do aeroporto até ao hotel permitiu algo ainda mais curioso – um duche no mesmo dia e à mesma hora mas noutro local, ou seja, dois duches no mesmo tempo, dois espaços!

Acordei cedinho e cheia de energia para caminhar por Santiago. Não tinha grandes expectativas, todos que a conhecem e me falaram dela pareciam não ter grande opinião. Fui surpreendida pela positiva! Achei uma cidade muito bonita, contrastante entre o Europeu dos edifícios mais antigos, muito Italianos ou Franceses no estilo e decoração, e os Barrios tipicamente Sul-Americanos cheios de cor e de vida – gente a falar, música na rua, lojas cheias e, claro está, gente que está "apenas ali” - deitada nos passeios, sentada nos bancos e a dormir nos parques.

Lembrou-me Paris, pelas varandas, lembrou-me Barcelona, pelas paredes com arte, lembrou-me Havana, pelo colorido, lembrou-me Roma, pelas praças; mas nada como veres com os teus olhos, através dos meus…

...o Cerro San Cristobal...

...as cabinas de telefono... ...a Plaza de Armas... ...los Correos... ...a igeja de Sta. Ana... ...o Mercado Central (que tem restaurantes no interior em vez de bancas)... ...um dos centros culturais...

...e as ruas e Barrios...








Atendendo a uma boa recomendação (Obrigada!) fui ao interior dos Correos de Santiago ver as cartas que as crianças Chilenas deixam ou enviam ao Viejito Pascuero a pedir os seus presentes de Natal. Apesar de “a época oficial de consulta” só abrir no dia seguinte, a “ajudante principal” do Viejito deixou-me consultar a já enorme pilha de cartas e escolher a que quisesse. Fiquei lá cerca de uma hora a ler...e de uma pré-selecção de 10, acabei por escolher duas – não me consegui decidir qual era mais merecedor…talvez porque, no fundo, todos merecessem ter o que pedem. Achei que esta era uma boa oportunidade de, de alguma forma, retribuir ao Mundo a “sorte” que tenho e que sempre tive – só agradecer todos os dias por isso, por estar a fazer esta viagem e a viver tantas experiências, deixou de me parecer suficiente...

Apesar de ser tudo muito bonito, a melhor vista da cidade e de como está encaixada nos Andes é a que se tem do Cerro San Cristobál

E com uma cidade assim... até a Senhora canta!





Se já queria conhecer Valparaìso, o deserto de Atacama, a ilha da Pascua e a Patagónia, acabo de acrescentar à lista “Santiago no Inverno, quando os Andes tiverem neve”. Não que tenha saudades de neve…afinal ainda nem há três dias deixei os Alpes do Sul. Mas para esta viagem, assim como para tantas outras, espero a tua companhia aqui, ao pé de mim e não só na "caixinha".
E hoje até te deixo um sorriso meu, "de topo"!
Bem, “bons ares” me esperam aqui ao lado e com mais tempo para te mostrar ainda mais do que há pelo (meu) mundo.

Mas, antes de me ir embora, será que me podes ajudar a decifrar o que é uma “sastreria”?!
É que não faço mesmo ideia mas como não estava propriamente bem situada não arrisquei ir espreitar pela vitrine…

Beijinhos

PS – o colar transformado em tiara em Auckland foi inspiração da Cleópatra (acho eu) a minha companheira nesta parte da volta…Darwin já está velhote e metade do mundo foi demais para a sua frágil saúde; ficou em casa, no campo, a descansar.